NOÇÕES DE ECOLOGIA

 

Ecologia

É a ciência que estuda as relações dos seres vivos entre si e com o meio em que vivem. Designa também, uma nova forma de comportamento da sociedade frente aos atuais problemas ambientais.

 

Biomas 

São unidades biogeográficas amplas, caracterizadas por uma fisionomia dominante da vegetação e por condições ambientais determinantes.

 

Ecossistemas

Sistema mais ou menos estáveis formado por:

Meio abiótico (não vivo) ou biótopo: meio físico-químico e seus componentes tais como solos, água, clima, relevo, altitude, temperatura, luminosidade etc, onde vive uma biocenose; Meio biótico (vivo) ou biocenose, conjunto de seres vivos existentes em um determinado ambiente;

Os ecossistemas distinguem-se basicamente em três: ecossistema de água doce, ecossistema de água salgada, ecossistema do meio terrestre de transição, o ecótono: zona de transição entre dois ecossistemas (ex.: Amazônia (cerrado). Pode formar um ecossistema próprio, como os mangues (ecossistemas marinhos (terrestre).

 

Biosfera

É o conjunto de ecossistemas. O “envoltório da vida” ou Biosfera é uma fina camada do planeta onde ocorre qualquer forma de vida. Os limites da biosfera são as profundezas abissais dos oceanos; algumas dezenas de metros abaixo do solo e a alta atmosfera.

 

Habitat

É o Lugar característico onde vive determinada espécie.

 

Nicho Ecológico

É o papel funcional desempenhado por uma determinada espécie dentro do ecossistema, como e onde se alimenta e se reproduz.

 

Espécie

È o conjunto de indivíduos semelhantes que, ao serem cruzados, produzem descendentes férteis.

 

 

 

População

Conjunto de indivíduos de mesma espécie de uma determinada área.

 

 

FLUXO DE MÁTERIAS E ENERGIAS NOS ECOSSISTEMAS

 

A MÁTERIA NOS ECOSSISTEMAS

 

A matéria pode ser definida como tudo aquilo que possui massa e ocupa espaço. Pode ser orgânica ou inorgânica.

 

Toda a matéria inorgânica circula nos ecossistemas de forma cíclica, com os elementos e as substâncias passando dos seres vivos para o meio ambiente e deste de volta aos seres vivos.

 

 Os Ciclos Biogeoquímicos são os movimentos da matéria nos ecossistemas e interagem entre si: Ciclos do Carbono, Nitrogênio, Hidrológico, Oxigênio, Enxofre, Fósforo, Cálcio.

As matérias vivas (orgânica) nos ecossistemas são os organismos e podem ser definidos segundo a sua forma de nutrição (como conseguem alimento) e sua fonte de nutrição (do que se alimentam).

Os organismos Autótrofos (ou Produtores) produzem seus alimentos a partir de reações químicas, ou seja, sintetizam substância orgânica (alimento) a partir de substâncias inorgânicas. Os Organismos Heterótrofos (ou Consumidores) necessitam de alimentos já sintetizados  pelos autótrofos.

A Circulação da Matéria nos Ecossistemas formam as Cadeias e Teias Alimentares Elos ou níveis são constituídos por organismos das mesmas  preferências alimentares. 

Os produtores ocupam o primeiro trófico.

Os Consumidores podem ocupar vários níveis tróficos, Por exemplo, os consumidores  secundários (pássaros ) no terceiro nível trófico, os consumidores terciários ( serpentes) no quarto nível  trófico e assim por diante.

 

Todos os organismos (de todos os níveis tróficos) serão alimentos para um tipo especial de consumidor, os decompositores.

 

 Muitas espécies podem ocupar mais de um nível trófico e são chamados onívoros.

 

 

Capim                  Algas                      Trigo                     Seiva de Raízes

Pulgão                 Peixes                    Rato                      Grilo

Joaninha              Ariranha                 Coruja                   Lagarto

Aranha                 Jacaré                    Cobra                    Raposa

Gavião                 Gavião                    Águia

 

ENERGIA NOS ECOSSITEMAS

 

O Fluxo de Energia inicia-se com a intensa radiação solar que incide sobre o planeta.

 

A Energia Radiante é transformada em Energia Química pelos organismos produtores.

 

Os  consumidores então  obtêm energia proveniente dos produtores A cadeia alimentar descrita anteriormente, inclui a passagem da energia entre todos os níveis, porém de forma unidirecional, ou seja não cíclica. Ao passar pelos organismos a energia sofre varias transformações e parte dela é perdida, em média apenas 10% aproveitada. Pirâmides Ecológicas.

São as formas simples de representar o fluxo de energia e matéria dentro de um ecossistema. Pirâmides de Números, Pirâmides de Biomassa e Pirâmides de Energia.

Fatores Ecológicos e o Equilíbrio das Comunidades

 

Os ecossistemas possuem relações dinâmicas e muito complexas entre as populações e entre estas e o ambiente. Estas relações desenvolvem-se através de Fatores Ecológicos e garantem o equilíbrio e a harmonia dos ecossistemas. Assim, designamos estes fatores como qualquer elemento do meio capaz de interferir nos seres vivos e no ambiente,  em qualquer uma de suas fases de desenvolvimento.

 

Os Fatores Abióticos são os climáticos (luz, calor, umidade, temperatura etc.), edáficos (do solo), altitude, (latitude), entre outros.

 

Os Fatores Bióticos são as relações entre os seres vivos que podem ser harmônicas (quando nenhum dos indivíduos envolvidos é prejudicado) Os fatores Bióticos  podem se classificados, ainda, relação intrer-específica (entre indivíduos da mesma espécie).

 

RELAÇÕES HARMÔNICAS INTRA-ESPECÍFICAS

 

Sociedade: relação não obrigatória de benefício mútuo. (ex.: formigas, abelhas e cupins onde os indivíduos têm vantagens mútuas ao se relacionarem.

 

Colônia: relação obrigatória e de beneficio mútuo. As cracas e os corais vivem sempre em colônias.

 

RELAÇÃO HARMÔNICA INTER –ESPECÍFICAS

 

 

Protocooperação: relação não obrigatória e de benefício mútuo. Ex.: Os

 Insetos se alimentam do néctar das flores e a polinizam

Mutualismo: relação obrigatória com benefício mútuo. Ex: Liquens associação entre algas e fungos (manchas coloridas em pedras e árvores), onde os fungos retêm umidade e nitrogênio e as algas produzem alimento (matéria orgânica) através da fotossíntese.

Comensalismo: relação obrigatória com beneficio para um dos indivíduos e sem desvantagem ao outro (ex: rêmoras comendo restos alimentares de um tubarão).

Epifitismo: é considerado comensalismo. Ex.:bromélias vivem sobre altos troncos de árvores para melhor alcançarem a luz.

 

RELAÇÕES DESARMÔNICAS INTRA-ESPECÍFICAS

 

Competição: por território, alimento e acasalamento.

 

Canibalismo: indivíduos da mesma espécie se alimentando de outros (ex.: aranhas Viúvas Negras).

 

RELAÇÕES DESARMÔNICAS INTER- ESPECÍFICAS

 

 

Amensalismo: Indivíduo de uma espécie utiliza-se de mecanismo para impedir  ou inibir o desenvolvimento de outras. Ex: algumas plantas daninhas, que liberam compostos químicos secundários inibindo o crescimento das culturas.

 

Competição: indivíduos de espécies diferente competindo no mesmo ambiente. Ex: Martim–pescador, a garça e a lontra alimentando-se de peixes de uma mesma lagoa.

 

 

Predatismo: quando um animal alimenta-se de outro, matando-o. Ex: quando a cobra se alimenta do passarinho.

 

Parasitismo: quando um indivíduo se aproveita de outro, prejudicando-o. Ex: a erva-de-passarinho que suga a seiva das árvores, prejudicando-as.

Sucessão Ecológica

 
As comunidades são sistemas dinâmicos e qualquer modificação no meio ambiente desencadeia um processo de Sucessão Ecológicas culminando com o restabelecimento do seu equilíbrio. A sucessão primaria ocorre quando da instalação dos seres vivos num ambiente nunca antes povoado (ex:costão rochoso). E Sucessão Secundária ocorre quando da eliminação de seres vivos num ambiente, devido a fatores ecológico, sendo ocupado por outros (ex: desmatamento). Ecesis é a capacidade de uma espécie em primeiro ocupar este local (pioneira). Cada  etapa do processo sucessional é chamado de série e o final  chama-se clímax, onde restabelece-se o equilíbrio dinâmico.

Recursos Naturais

 

São os elementos bióticos e abióticos disponíveis ao homem para satisfazer suas necessidades econômicas, culturais e sociais. Podem ser renováveis ou não renováveis.

 

Renováveis  - florestas, água, fauna.

Não Renováveis – jazidas minerais, incluindo petróleo, gás natural e carvão.

Poluição – Causas e Conseqüências

 

A poluição pode ser entendida como qualquer alteração causada na Biosfera, tais como a poluição dos rios, do mar, do ar, do solo, que sejam prejudiciais aos seres vivos e a estabilidade dos ecossistemas.

 

ALGUMAS CAUSAS DA POLUIÇÃO

 

Desenvolvimento sustentável

 

A degradação ambiental não é conseqüência do desenvolvimento, e sim de um modelo de desenvolvimento, ecologicamente insustentável, economicamente injusto e socialmente desigual.

A discussão sobre o Desenvolvimento Sustentável está baseada no seguinte conceito:

 

“ Modelo de desenvolvimento econômico e social que atende ás necessidades do presente sem comprometer  a possibilidade de as gerações futuras atenderem ás suas próprias necessidades”. (Comissão Mundial sobre Meio Ambiente e desenvolvimento).

 

IDEAIS E ASSESSORIA EM TURISMO

 

Assim, o desenvolvimento sustentável é um novo padrão de desenvolvimento, no qual o crescimento da economia e a geração de riquezas estão integrados à preservação do meio ambiente, ao manejo adequado dos recursos naturais, assim como ao direito dos indivíduos à cidadania e a qualidade de vida.

 

USO SUSTENTÁVEL DOS RECURSOS NATURAIS

 

Para que se proceda a conservação dos recursos naturais, deve haver uma preocupação dos governos e da sociedade como um todo, para que o uso dos recursos naturais sejam realizados segundo alguns critérios básicos:

 

v      Conhecimento do potencial e das características dos recursos naturais

v      Conservação da biodiversidade

v      Utilização racional dos recursos hídricos

v      Combinação de uso de energias alternativas

v      Novas práticas agrícolas

 

 

MATA ATLÂNTICA

 

 A mata tropical úmida de encosta ou mata Atlântica originalmente ocorria ao longo da costa brasileira, acompanhando as cadeias montanhosas (escarpas). Atualmente, no nordeste encontra-se apenas vestígios desse tipo de vegetação, sendo que sua maior ocorrência está localizada nas serras da Mantiqueira, Araras, do Mar, Juqueriquere (Juréia) e Graciosa.

 

 

Os ventos que sopram do mar para os continentes, carregados de umidade, são barrados pelas montanhas costeiras e se elevam.  Com esta elevação, o ar se resfria e o vapor d’água em excesso se precipita sob a forma de nevoeiros ou chuva. Exemplificando, a parte da serra do Mar denominada Serra do Itapanhú (próximo a Bertioga) tem o maior índice pluviométrico do Brasil +- 4400mm. H20 anuais.

 

A umidade constante permite o desenvolvimento de árvores altas e vegetação bastante densa (altura média do estrato superior 30-35). Abaixo dessa cobertura contínua, adaptados a quantidades menores de luz, encontra-se, um ou mais estratos formados por árvores menores, de troncos finos e poucos ramificados (conhecidas genericamente por canelas), como também pequenas palmeiras, palmito e os samambaiaçus ( gêneros Alsophila e Dicksonia, está ultima fornece o xaxim).

Devido a densidade da vegetação arbórea, o interior da floresta é escuro, mal ventilado e úmido, tendo sobre o solo grande quantidade de matéria orgânica proveniente das camadas vegetais superiores, excrementos e animais mortos. Por esses fatores, o solo é bastante pobre em vegetação rasteira. Entretanto, essas mesmas condições favorecem a ação de organismos decompositores, como fungos e bactérias que transformam a matéria orgânica a em substância simples, aproveitando parte como alimento e desenvolvendo o resto para  o ambiente, que será absorvido pelas raízes dos vegetais.

Desse modo os nutrientes são reaproveitados, o que explica a existência exuberante, em solos, às vezes extremamente pobres.

 

Neste solo, pouco profundo em que os minerais são disputados, muitos dos vegetais desenvolveram raízes do tipo tabular, adaptando-se a melhor fixação.

As árvores altas, que se formam a cobertura as mata, absorvem a maior parte dos rios solares que incidem na floresta, provocando, nas camadas inferiores uma nítida competição pela luz. Esse fato  explica a grande quantidade de epífitas-plantas que utilizam os troncos de outras como suporte, podendo-se citar as  orquídeas, as bromélias, liquens, musgos, samambaias e filodendros com cortinados de lianas. Também muitos cipós escandentes.

 

A Mata Atlântica pode ser caracterizada, também por conter numerosas espécies, porém, cada uma representados por poucos indivíduos, bastante afastados entre si. Contribui para isso o grande número de animais atuando como polinizadores e disseminadores de sementes. Uma forma muito comum de dispersão consiste na passagem da semente através dos intestinos de alguns mamíferos e aves, que ao defecarem, depositam as sementes muito distantes da planta-mãe, onde poderão germinar.

 

Entres as espécies vegetais destacam-se jacarandá, o guapuruvu, a peroba, os ipês, jatobás, canelas além das palmeiras e das quaresmeiras que constituem grupos da mata pluvial tropical.  Essa riqueza de essências é sem dúvida uma das principais causas da intensa devastação a que estão sujeitas essas matas.

Entre os animais podem-se citar os bugios, as onças, os lagartos, as cotias, as queixadas e inúmeras aves como os jacus, os macucos e as maritacas. Alguns deles estão em vias de extinção devido principalmente à diminuição de cobertura florestal e à caça predatória.

 

De modo geral, a preservação dos ecossistemas florestais garante a proteção dos cursos d’água e da conservação do solo, mantendo a fertilidade e impedindo a erosão.

 

A vegetação disposta em camadas minimiza a ação erosiva dos ventos e das chuvas, retém muita água nas copas das árvores e proporcionam a infiltração lenta na terra. Parte dessa água é absorvida pelas raízes e parte irá se acumular nos lençóis de água subterrâneos, dando origem às nascentes.

 

A devastação da mata Atlântica, principalmente nas encostas da Serra do Mar, pode acarretar graves conseqüências: um solo desprotegido e facilmente erodido pela ação das águas e dos ventos; é rapidamente carregado para os locais mais baixos quando sujeitos a chuvas intensas, causando sérios problemas aos leitos dos rios que não conseguem transportar toda água penetre mais intensamente no solo. Esta infiltração poderá encharcar as camadas do subsolo, tornando –as pesadas e diminuindo sua estabilidade. Estas são algumas causas dos deslizamentos das encostas.

DESEQUILÍBRIO ECOLÓGICO QUE AFETAM A MATA ATLÂNTICA
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CHUVA ÀCIDA

 

Nas regiões de concentração industrial (Cubatão) fábricas diversas emitem gases ácidos: dióxidos (SO2), fluoreto de hidrogênio  (Hf) e cloreto de hidrogênio (Hci). O SO2 se forma no aquecimento de minérios do grupo dos sulfetos (pirita de ferro) e na fabricação de fertilizantes, degradação de celulose para fabricação de papel, e ácido sulfúrico. Todos os motores de combustão também liberam esse gás, embora em pequenas quantidades. O HCI se forma nas indústrias de fertilizantes, de esmaltação  e porcelana, Indústria eletroquímica e na combustão de materiais contendo cloro, como cloreto de polivinila (PVC). Ocorre desprendimento de HF nas fundições de metais pesados e de alumínio. Também indústrias de vidro, esmaltes e porcelanas e fertilizantes emitem HF.

 

OS três gases citados formam ácidos na presença de umidade. Quando inspirados, atacam as mucosas os alvéolos pulmonares. Queimam a cobertura vegetal quando há chuva.

 

 

QUEIMADAS

 

A queimada foi usada pelos antigos habitantes do país e é triste legado que recebemos. Fomos verdadeiros piromaníacos.(continuamos sendo).

Além de o fogo destruir a cobertura vegetal (sendo que poucas espécies são resistentes ao fogo) queima o húmus e deixa o solo exposto.

Os vegetais que ocupam imediatamente um solo queimado são as gramíneas (pasto) que em pouco tempo perdem o poder de segurar o solo, permitindo erosão e lixiviação. O solo perde logo o pouco potencial nutritivo.

 

 DESMATAMENTO

 

O desmatamento é outro fator que altera a qualidade de vida quando chove sobre a mata, as plantas absorvem boa parte da água. O húmus retira outra parte e o restante se infiltra e vai para o subsolo, chegando depois de algum tempo aos rios da região. Quando chove sobre o solo exposto ou sobre plantações de pequeno porte, a quantidade de água absorvida é pequena, a água escoa sobre o solo, levando seus nutrientes empobrecendo cada vez mais e causando erosão. Aumentamos riscos de enchente.

 

MATA ATLÂNTICA DO TIPO INSULAR

 

Originariamente cobria parte das ilhas costeiras. Agora persiste em algumas, ou formando manchas em outras. A  ocupação humana, com o desmatamento para a agricultura de subsistência liquidou  a esplendida cobertura vegetal.

As trilhas da baia da Ilha Grande (Angra dos Reis), Ilha Anchieta, Ilha Bela e vizinhas Ilhas do Cardoso, e demais do sistema laguna, Iguape, Cananéia, Paranaguá, são exemplos de mata Atlântica insular Algumas estão sob proteção, sendo reservas biológicas e outras tem ocupação humana regulamentada.

A flora e fauna são praticamente as mesmas do continente, salientando –se uma especialização – na ilha da Queimada Grande, próximo a Itanhaém há uma variedade única de jararaca – a jararaca ilhoa (Bothrops, jararaca 15 laensis) que devido ao isolamento tem aspectos hermafroditas e podem se reproduzem por partenogênese.

ECOLOGIA, MEIO AMBIENTE E PRESERVAÇÃO AMBIENTAL CERRADO E CAATINGA

 

CERRADOS

 

Cerca de 25% do território nacional constitui-se de cerrado. Grandes extensões cobertas de vegetação fantasmagórica, solo aparentemente árido, pouca vida animal aparente, tudo confere grande monotonia.

 

Suas árvores e arbustos têm a aparência que costumamos atribuir à vegetação que vive em ambientes onde a água é escassa. Árvores e arbustos têm cascas grossas, folhas coriáceas, brilhantes, como envernizadas; ou revestida por uma espessa camada de pelos ou lanugem. Por outro lado, muitas espécies de cerrado têm características que se opõem à idéia de adaptação e condições de seca (ex.: folhas grandes). Inúmeras espécies produzem, ainda em plena seca antes das primeiras chuvas, grande número de folhas ou brotos vegetativos. Para isso é indispensável à utilização de muita água.

Água não é, pois o fator limitante. As precipitações da região seriam suficientes até a manutenção de uma vegetação bem exigente.

 

Mesmo na estação seca, o solo contém um teor apreciável de umidade, a partir de 2m de profundidade. O lençol subterrâneo fica aproximadamente 18m e é permanente. A maioria das espécies tem raízes que atingem grandes profundidades.

 

Acredita-se atualmente que as plantas do cerrado apresentam falso xeromorfismo, (pseudoxeromorfismo).   O aspecto características da região é devido á escassez.

De nutrientes no solo, excessiva acidez e grande quantidade de alumínio, substância tóxicas para a maioria dos vegetais. Todos esses fatores dificultam a síntese de proteínas e o excesso de carboidratos (celulose) se depositam em estruturas que dão às plantas o aspecto xeromorfico: casca grossa, como cortiça, galhos retorcidos e pequeno porte.

 

Outro fator importante na caracterização do cerrado é o fogo. O fogo é um fator climático biótico. Escavações arqueológicas revelam que o homem de Lagoa Santa queimava cerrado há cerca de 10.000 anos....

 

 

Sendo as estações bem definidas, com períodos de seca prolongados (6-7 meses), chegam a ocorrer incêndios espontâneos. Assim a vegetação parece estar até adaptadas às queimadas  (havendo grande rebrota após, principalmente das gramíneas).

 

Durante algum tempo considerou-se o cerrado uma formação secundária á devastação humana, porém verificou-se existirem manchas de cerrado até na hiléia  onde a ocupação humana é praticamente nula. Sendo assim, considera-se agora o cerrado uma formação vegetal natural.

 

O cerrado se divide em:

 

-   Cerrado propriamente dito – vegetação arbustiva relativamente

Densa, com palmeiras e acaules de pequeno porte: angico, barbatimão, alguns paratudos e lixeiras.

-   Campo cerrado – árvores esparsas e predominância de gramíneas (capim barba de bode flexa e flexinha).

-   Cerradão – região de transição entre a floresta tropical e cerrados. É quase tão rica como a mata galeria. Suas árvores atingem 10 15 metros.

 

 Os vegetais dividem-se em permanentes e efêmeros. Algumas plantas permanentes perdem as folhas na seca. As efêmeras, como o próprio nome já indica, morrem na seca, mas subsistem as sementes, que brotam nas águas.

 

Permanente caju, angico (resina), araticum, (cabeça –de negro), peroba murici, paratudo (paratudais), barbatimão, jacarandá, mangabeira (mangaba), pequizeiro (pequi), lobeira (fruta do lobo) Palmáceas, carnaúba macaúba, indaiá, buriti, catolé.

 

 

Efêmeras – papo de peru

                    Algodão do campo

                    Gramíneas – subsistem as raízes que rebrotam ás primeira chuvas.

 

Fauna – como em todo Brasil, não há uma fauna característica de nenhum ecossistema. É claro que existem exceções, mas de modo geral ocorram maiores  concentrações de determinadas espécies em determinados ambientes. Mais do que a vegetação, os animais se acham dispersos.

 

Mamíferos – tamanduás (mirim e bandeira), tatus, onças (suçuarana e pintada), antas, capivaras, veados de várias espécies, macacos (principalmente bugios),

Guarás.

 

Répteis – 11 espécies de serpentes e lagartos (Crotalis sp nas áreas secas e arenosas e Brothrops sp nas matas galerias).

Ameiva sp – calango verde – matas.

Tropidurus sp – calango escuro  - ambiente rupreste.

  Ave – ema seriema, nhambu, codorna, perdiz jacu, gaviões (gibão de couro psitacídoco (periquito, papagaios e araras)).

 

 

Como já foi ressaltado, todas as espécies de médio e grande porte estão ameaçadas de extinção.

UNIDADES DE CONSERVAÇÃO REPRESENTATIVAS DO ECOSSISTEMA CERRADO.

 

-              P.N. do Araguaia – GO

-              P.N. de Brasília - DF

-              P. N. de Chapada dos veadeiros – GO

-              P. N. das Emas – GO

-              P. N. do Pantanal Mato- Grossense – MT (partes)

-              P. Estadual da Chapada dos Guimarães – MT

 

CAATINGA

As caatingas ocupam cerca de 10% do território brasileiro, estendendo-se pelos Estados do Maranhão, Piauí, Ceará, Rio Grande do Norte, Paraíba, Sergipe. Alagoas, Bahia e norte de Minas Gerais (praticamente todo o nordeste do Brasil).

 

Tratam–se de terrenos cristalinos, maciços antigos, com cobertura sedimentar.

Apesar de pouco profundos e ás vezes salinos, os solos da caatinga contém boa quantidade dos minerais básicos para plantas. Limitações podem ser corrigidas facilmente. O maior problema é realmente o regime incerto e escasso das chuvas planejadas e executadas transformaria a caatinga quase num jardim.

É uma zona de secas periódicas, alguns períodos muito drásticos. No inverno, época das chuvas, num ano rico em chuvas, por exemplo, o índice pluviométrico chega a 1000 mm; num o  ano pobre pode chegar apenas a 200mm. Temos assim, por média 500 a 700 mm anuais. A temperatura situa-se entre 24ºC e 26ºCe varia pouco durante o ano, além disso, a região está submetida a ventos fortes que não carregam umidade e contribuem para aridez da paisagem nos meses de seca.

As maiorias dos rios secam no verão. São exceções do Rio São Francisco, Paraíba, Gurupi, Pindaré e Itapecuru. (temperatura ou Intermitentes são;: Jaguaribe, Piranhas, Apodé e cursos menores).

 

O nome caatinga ou catinga é indígenas e significa matas claras, abertas.

 

As plantas e animais da Caatinga demonstram adaptações ás condições climáticas.

Nos vegetais aparecem uns claros xeromorfomismo: as folhas são muitas vezes reduzidas como as cactáceas (espinhos), o mecanismo de abertura e fechamento estômatos é bem rápido; a queda das folhas na estação seca representa também um modo de reduzir a área exposta à transpiração.

 

Os animais têm os hábitos noturnos e alguns fazem estivação. Também tem adaptações anatômicas e fisiológicas.

 

A caatinga divide-se em:

 

-Agreste –que tem 2 tipos de caatinga. Subdivide-se em:

- Caatinga alta -(próximas a curso d’água) –juremas, braúnas aroeiras, angicos, mimosas, juazeiros (juá, em janeiro e fevereiro), carnaúbas, Caraíbas (var. do Ipê amarelo), paud’arco (var. do ipê roxo). Poucas cactáceas e bromeliáceas.

 

Caatinga baixa – chapada do Piauí e Maranhão  - mata arbustiva, com árvores de pequenos porte, sem cactáceas e bromeliáceas (poucas). Muitas leguminosas, como o umbu (dezembro), feijão guandu, palmeiras pequenas, quase sem caule; ouri- curi e catolé.

 

-              Carrasco – ou caatinga mestiça, com árvores de médio porte, esparsas. Aparecem espécies da caatinga alta e da baixa. 

-              *barriguda - Tronco bojudo – galhos e folhas pequenas (família das primeiras).

 

 

Sertão  - ou caatinga verdadeira – Paraíba, Ceará.

-              Predominância de gramíneas, cactáceas e bromeliáceas. Um ou outro espécime de porte maior.

-              Estáceas: mandacarú – Cereus jamaracaru facheiro – Cereus squamosus (até 10m)  xique-xique - Cereus – gomususquipá – Opuntir sp – dado como alimento ao gado coroa de frade – Pilocereus sp

-              Bromélias: gravatás,  macambira,

                           Caroás – fibra têxtil

-              Agaváceas: pita

      ágave

      aracena

                            Espada de São Jorge

 

Ao caírem as chuvas, no fim do na, a caatinga perde seu aspecto rude e se torna verde e florida.

 

FAUNA

 

A fauna é notadamente pobre: pequenos roedores, répteis (jabutis, lagartos e serpentes), anfíbios, aves (juriti, avodeira, maracanã, seriema e aves rapinantes). Os animais (mamíferos) de maior porte encontram alguma proteção, agora, nos parques e reservas.

 

Desequilíbrio

  Começaram com a colonização:

  Derrubada de matas

  Ocupação humana – problemas Sócio – econômica – culturais.

OBS.: Em certas áreas dos Estados Do Maranhão, Piauí e Rio grande do Norte existem uma vegetação característica, formada por palmeiras de  espécies  Obbbignya martiana – o conhecido babaçu.  Essas regiões são conhecidas como babaçuais ou cocais. Há Maior pluvisiosidade e a temperatura média anual é de 26 ºC. A mata de babaçu tem grande importância econômica para a região.

 

Unidade de conservação Representativa do Ecossistema caatinga

 

 

P.N. da Serra da canastra (nascente do Rio São Francisco) – partes MG

P.N. da Serra da Capivara – PI Inscrições rupreste de São Raimundo Nonato.

P. N. da Setes Cidades – PI

P. N. de Ubirajara – CE

Reserva biológica de Serra Negra – PE

 

Desertificação

 

É o avanço das manchas de aridez pré-existente.

 

Desertos se caracterizam pela carência  de água doce.

Desertificação tem causas naturais e antrópicas. Atualmente as causas antrópicas são mais acentuadas (mesmo porque as dimensões do tempo geológico não são medi das pelo tempo humano).

O processo de desertificação de origem antrópicas se inicia com a remoção da cobertura vegetal (geralmente por queimadas indiscriminadas). A erosão linear se acelera e tende a destruir a camada de húmus no solo, ocorrendo ainda uma mudança para níveis mais inferiores de lençol freático, agravando-se a deficiência hídrica.

 

Há tendências ao decréscimo no total de chuvas precipitadas e o próprio processo de formação de chuva tende se a inibir.

A origem dos desertos está ligada ao clima da Terra.   A maioria dos desertos está  localizada  nos trópicos onde nas  zonas de alta pressão impedem que a superfície seja umidecida . Isso acontece porque nas zonas de clima tropical mais próximas  do  Equador, o sol se avizinha do zênite. Sua radiação, que por isso incide quase perpendicular, é em boa parte absorvida pela superfície, que a transforma em calor.

O ar sobe, ganha as camadas superiores da atmosfera e leva consigo grandes quantidades de vapor d’água. Á medida que sobe, entra em regiões mais frias e começa a se expandir em direção dos pólos, dissipando o seu valor.

 

O vapor d’água se condensa na presença do frio e forma pesadas nuvens que desaba em temporais sobre florestas como a Amazônia. O ar já ressecado se torna mais denso e resfriado e começa a descer sobre os trópicos , formando portanto as zonas de alta pressão (anticiclones). Quando chega perto da superfície, é atraído pelas regiões vizinhas, de baixa pressão e o ciclo recomeça.

 

Assim, superfícies imensas, na África, Austrália e Península arábica ficam privadas de água, pois o ar não consegue levar água até elas.

 

São indicadores desertificação:

 

-              Elevação da temperatura média anual;

-              Aumento do déficit hídrico dos solos

-              Crescimento significativo do escoamento superficial.

 

No Brasil, o deserto se faz presente no polígono das Secas (quase 1 milhão de Km2) no Nordeste. A aridez é significativa desde a última glaciação, já no período quartenário. Existem vestígios geomorfologicos, como os “corpo de inselbergues”

 

 

Os inselbergues são elevações ilhadas que aparecem em regiões áridas.

 

O Pontal de Paranapanema, com mais de 1500Km2 de área verde em 1950 está totalmente devastado, assim como as florestas subtropicais que cobriam a maior parte do território paranaense e de Zona de Mata nordestina. Aproximadamente 500.000 Km2 do sertão nordestino viraram desertos de verdade.

 

Da mesma maneira, na última década, pampas gaúchos se transformaram em desertos...

 

O Brasil segundo os dados da ONU, de 1983, tinha cerca de 780 mil Km2 de áreas desertificada, concentrada no Nordeste, onde vivem mais de 10 milhões pessoas. As autoridades negam entendendo o termo no sentido mais restrito, mas a desertificação, pela substituição das florestas pelo plantio ou pastoreio excessivo, vem  criando e aumentando regiões áridas e semiáridas.

 

Assim, no andar dos fatos, prevê-se que até o ano 2.010, mais de um terço a superfície da planeta já esteja morta.

 

Fonte de pesquisa: www.ibama.gov.br/unidades/parques

Lopes, Edris Q – Educação Ambiental e ecoturismo.  2.003

 

IBIMM - Instituto de Biologia Marinha e Meio Ambiente
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NUPEBI - Núcleo de Pesquisas IBIMM 
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